Retrospectiva Bertolt Brecht no cinema 04 a 08 de outubro de 2006

03/10/2006 - 17:19
Camila Ranzi
Com o objetivo de homenagear o dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956) em seu cinqüentenário de morte, a Cinemateca Brasileira e o Goethe Institut apresentam ao público brasileiro uma faceta pouco conhecida de sua trajetória artística – seu envolvimento com o cinema. A seleção reúne não só a maior parte das experiências diretas de Brecht com o cinema, sobretudo como roteirista e mesmo diretor, mas também filmes baseados em suas peças, um documentário biográfico e registros de encenações que ajudam a entender a obra de um dos maiores dramaturgos do teatro moderno, cujas teorias e peças não só influenciaram o teatro brasileiro como também o cinema dos anos 1960. Além de importantes documentos históricos, algumas destas experiências apresentam o diretor num corpo a corpo com a forma cinematográfica, requisitando para isso toda sua experiência teórica. Por outro lado, filmes como Um homem é um homem, A vida de Galileu e, em especial, Syberberg filma o trabalho de Brecht, ajudam a lançar luz sobre o método de trabalho do diretor e sua concepção do teatro épico. O evento contará ainda com uma exposição de cartazes do Berliner Ensemble, cedida pelo Instituto Martius-Staden.

Núcleo de Programação

Sala Cinemateca

Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana

próxima ao Metrô Vila Mariana

Outras informações: 5084-2177 (ramal 210) ou 5081-2954

ingressos: R$ 8,00 (inteira)

R$ 4,00 (meia-entrada)



Atenção: Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de Escolas Públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.


Programação:

dia 04/10 (quarta-feira)

18h30 Abertura da mostra: apresentação de canções da peça O círculo de giz caucasiano, de Bertolt Brecht, com a Companhia do Latão

19h10 Syberberg filma o trabalho de Brecht

21h10 Curta-metragem

Os fuzis da Senhora Carrar

dia 05/10 (quinta-feira)

17h10 Kuhle Wampe

18h40 Palestra com Iná Camargo Costa (USP)

20h30 Pré-estréia do curta Estudo de cena: o Capital e a Religião

21h30 Filmes domésticos / Curta-metragem / Um homem é um homem / Os mistérios de uma barbearia / A vida de Galileu

dia 06/10 (sexta-feira)

16h45 Meu nome é Bertolt Brecht – exílio nos EUA

20h40 A mãe

dia 07/10 (sábado)

13h30 O Sr. Puntila e seu Criado Matti

15h30 Mãe Coragem seus filhos

18h15 Kurzer film

Os fuzis da Senhora Carrar

19h30 Syberberg filma o trabalho de Brecht

dia 08/10 (domingo)

16h00 Filmes domésticos / Curta-metragem / Um homem é um homem / Os mistérios de uma barbearia / A vida de Galileu

17h30 A mãe

20h20 Mãe Coragem e seus filhos

Fichas técnicas e sinopses:

Curta-metragem
(Kurzer film)

Alemanha, 1953, 16mm, pb, 4’, silencioso

Filmado durante a montagem da peça Os fuzis da Senhora Carrar, capta imagens do cotidiano de trabalho do Berliner Ensemble em 1952.

Estudo de Cena: o Capital e a Religião, de Diogo Noventa

Brasil, 2006, DVCam, cor, 34’

Juliana Liegel, Luciano Carvalho

Videocriação coletiva a partir da cena O discurso de Pedro Paulo Bocarra segundo o qual o Capitalismo e a Religião são indispensáveis, da peça A Santa Joana dos Matadouros de Bertolt Brecht.

Filmes domésticos (Private silent films)

Alemanha, 1928-1929, 16mm, pb, 4’, silencioso

Material inédito com imagens de Bertolt Brecht, Kurt Weill, Lotte Lenja, Helene Weigel, entre outros de seus colaboradores.

Os fuzis da Senhora Carrar (Die gewehre der Frau Carrar), de Egon Monk

Alemanha, 1953, 16mm, pb, 54’ – legendas em espanhol

Helene Weigel, Erwin Geschonneck, Ekkehard Schall, Regine Lutz

Registro de montagem da peça Os fuzis da Senhora Carrar, documentada pelas câmeras profissionais da Televisão da RDA. Narra a história de uma pescadora que tenta evitar a todo custo que seus filhos sejam afetados pela guerra.

Um homem é um homem (Mann ist mann), de Bertolt Brecht

Alemanha, 1931, 16mm, pb, 15’, silencioso

Peter Lorre, Helene Weigel, Theo Lingen, Wolfgang Heinz

Primeiro documento fílmico de uma encenação de Brecht. Um experimento feito durante uma montagem da peça em fevereiro de 1931, com a participação do ator Peter Lorre.

Kuhle Wampe (Kuhle Wampe oder: Wem gehört die Welt?), de Slatan Dudow

Alemanha, 1932, 16mm, pb, 75’ – legendas em espanhol

Hertha Thiele, Ernst Busch, Martha Wolter, Adolf Fischer

Roteiro de Bertolt Brecht e Ernst Ottwalt

A história de uma família de operários berlinenses durante uma crise econômica na República de Weimar.

A mãe (Die mutter), de Manfred Weckwerth

Alemanha, 1958, 16mm, pb, 147’ – legendas em espanhol

Registro de montagem da peça A mãe, encenada pelo Berliner Ensemble em 1951.

Mãe Coragem e seus filhos (Mutter Courage und ihre kinder), de Peter Palitzsch e Manfred Weckwerth

Alemanha, 1961, 16mm, pb, 148’ – legendas em espanhol

Helene Weigel, Angelika Hurwicz, Ekkehard Schall, Heinz Schubert

Filme baseado numa montagem da peça de Brecht feita pelo Berliner Ensemble. A história se passa durante a Guerra dos Trinta Anos, conflito entre a França e a Baviera, debruçando-se sobre a trajetória de uma comerciante que, puxando sua carroça de bugigangas, vive dos despojos da guerra.

Meu nome é Bertolt Brecht – exílio nos EUA (My name is Bertolt Brecht – Exile in USA), de Norbert Bunge e Christine Fischer-Defoy

Alemanha, 1989, 16mm, cor/pb, 95’ – legendas em português

O documentário segue o rastro das experiências amargas que o poeta e dramaturgo alemão viveu a partir de 1933, e do caminho por ele percorrido durante seu exílio.

Os mistérios de uma barbearia (Mysterien eines frisiersalons), de Bertolt Brecht e Erich Engel Alemanha, 1923, 16mm, pb, 24’, silencioso – intertítulos em espanhol

Karl Valentin, Blandine Ebinger, Erwin Faber, Annemarie Hase

Numa barberaria, vários clientes aguardam enquanto um aprendiz preguiçoso, interpretado pelo famoso ator Karl Valentin, dorme.

Syberberg filma o trabalho de Brecht (Syberberg filmt Brecht), de Hans Jürgen Syberberg

Alemanha, 1953-1993, 16mm, pb, 90’ – legendas em espanhol

Em 1953, Hans Jürgen Syberberg apresentava-se ao Berliner Ensemble disposto a filmar, numa câmera 8mm, os trabalhos do grupo. Brecht interessou-se pela proposta do jovem de 17 anos e permitiu que ele registrasse as montagens. Em 1971, Syberberg reuniu estes materiais e produziu um documentário, acompanhado por explicações e comentários. Em 1993, o cineasta decidiu reeditar novamente o documentário a partir desta versão de 1971.

O Sr. Puntilla e seu Criado Matti (Herr Puntila und sein Knecht Matti), de Alberto Cavalcanti

Áustria/Alemanha, 1955, 35mm, pb, 105’

Curt Bois, Heinz Engelmann, Maria Emo, Erika Pelikowsky

Adaptação da peça teatral homônima de Bertolt Brecht

Nesse musical, um rico proprietário de terras finlandês é generoso e engraçado quando está bêbado. No entanto, se está sóbrio adquire um comportamento austero e cruel. Seu fiel criado precisa não só agüentar o temperamento flutuante do patrão como protegê-lo quando está com problemas. Cavalcanti fez o filme na Áustria, em 1955, por insistência de Joris Ivens, que lhe queria passar a direção. Brecht co-escreveu o roteiro com Cavalcanti. Primeiro filme de Cavalcanti na Europa depois de sua experiência no Brasil.

A vida de Galileu (Leben des Galilei), de Ruth Berlau e Joseph Losey

Estados Unidos, 1947, 16mm, pb, 30’, silencioso – intertítulos em espanhol

Charles Laughton, Peter Brocco, Frances Heflin, Hugo Haas

Registro do único trabalho teatral de Brecht em seu exílio, uma montagem da peça A vida de Galileu.
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