Pubilcação de portaria pode reduzir espera de cirurgia da obesidade nos hospitais do SUS

22/09/2006 - 16:04
Camila Ranzi
No Hospital das Clínicas em São Paulo, pacientes podem esperar mais de 3 anos para realizar a cirurgia de redução de estômago; Atualmente cerca de 500 pessoas aguardam a operação.

Enquanto a nova Portaria Ministerial que melhora as condições para o tratamento da obesidade mórbida no país não é oficializada pelo Ministério da Saúde, as filas de pacientes que aguardam cirurgia crescem em larga escala. No Hospital das Clínicas em São Paulo, cerca de 500 pessoas aguardam para realizar a operação, uma espera que pode passar de 3 anos. A publicação da Portaria pode reduzir substancialmente o tempo do tratamento. "Essa aprovação é fundamental, pois o obeso mórbido tem várias doenças associadas ao excesso de peso como diabetes, pressão alta, problemas respiratórios e coronários, que tendem a se agravar com essa longa espera", afirma o Dr. Arthur Garrido Jr. coordenador da unidade de cirurgia da obesidade do hospital das clínicas da faculdade de medicina da USP.

“As autoridades têm que entender que esse tipo de cirurgia não é feita para corrigir uma questão estética. É uma questão de saúde pública e os pacientes não podem esperar por muito tempo. Cerca de 1 milhão de brasileiros têm obesidade mórbida", acrescenta o Dr. Luiz Vicente Berti, vice-presidente executivo da SBCB.

No início do ano uma comissão da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (SBCB) esteve em Brasília e recebeu a promessa do secretário de atenção à saúde do Ministério da Saúde, Dr. José Gomes Temporão, que a Portaria seria publicada tão logo o orçamento da União fosse aprovado. Embora essa aprovação tenha ocorrido no mês de março, o assunto da Portaria continua fora das prioridades do Ministério, o que agrava ainda mais a situação dos pacientes nas filas de espera.

Novas diretrizes - A nova Portaria Ministerial possui fonte de financiamento das despesas decorrentes do atendimento ao obeso pelo SUS. Mais abrangente, o texto prevê a execução das várias técnicas consagradas de cirurgia bariátrica, conforme a necessidade em cada caso, e não apenas a utilização de uma única técnica como era feito anteriormente. Há também a ampliação no atendimento envolvendo hospitais públicos do SUS, não só para casos cirúrgicos, mas também atendimento preventivo para obesos. Essa iniciativa vai imprimir mais agilidade na prestação de serviços aos pacientes com excesso de peso, além de ajudar a prevenir as complicações de saúde decorrentes da obesidade.

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