Dietas da Moda
26/09/2006 - 17:38
Camila Ranzi
Regimes famosos podem prejudicar o bom funcionamento do organismo.
Com a correria do dia-a-dia, trabalho, estudos e família, a alimentação fica em segundo plano. É natural recorrer a restaurantes do tipo fast-food e passar muitas horas sem se alimentar direito. Essa rotina desregulada torna o aumento de peso e eventuais problemas de saúde praticamente inevitáveis. A partir do acréscimo de números na balança, muitos optam por dietas “receitadas” por amigos e não buscam acompanhamento de um médico ou nutricionista de confiança, o que pode causar uma boa dose de dor de cabeça.
De acordo com o Dr. Ricardo Rosenfeld, presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral (SBNPE) e professor do Instituto de Nutrição da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, não há órgão que verifique a validade das dietas “receitadas” por amigos, somente das dietas por necessidade médica. “Dietas não precisam ser aprovadas por nenhum órgão, exceto as que são industrializadas. Essas precisam da aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ministério da Saúde”.
A procura por um regime que dê resultados imediatos é comum. Muitas dietas tornam-se populares por prometerem rápida perda de peso em curto espaço de tempo e são utilizadas sem que haja aprovação da qualidade, eficácia, ou se foi indicada por especialistas. Essas dietas são imprudentes porque o corpo necessita de certos nutrientes para manter suas funções equilibradas. Segundo Dr. Rosenfeld, não há como prevenir o fluxo das más dietas. “Infelizmente é possível divulgar qualquer coisa sobre dieta, mesmo as que sabidamente vão contra a fisiologia e o metabolismo do ser humano. Caberia, apenas, o esclarecimento do paciente pelo seu médico quando houvesse dúvida. Pena que poucas pessoas fazem isso”.
Dietas perigosas
Dietas altamente restritivas, como a da Sopa, da Lua, do Tipo sanguíneo, de South Beach, do Atum ou da USP (Universidade de São Paulo) – vale ressaltar que a USP nunca elaborou nenhuma dieta como essa, e, seu nome foi utilizado para dar a impressão de seriedade científica –, entre outras, são perigosas por limitarem ao máximo a ingestão de nutrientes, excluindo alimentos e, muitas vezes, grupos alimentares inteiros. Essas dietas podem até funcionar a curto prazo porque têm poucas calorias, mas não ensinam hábitos alimentares saudáveis, fundamentais para controlar o peso e manter a saúde.
A jornalista Cynthia Magnani tentou seguir a dieta da sopa, mas não agüentou: “Achei que não teria problemas porque era uma sopa com muitos legumes e me parecia bem forte”. “No quarto dia não conseguia mais nem sentir o cheiro da sopa. Dava uma colherada e sentia ânsia de vômito. Não suportava nem mais a consistência”, confidencia Cynthia. A jornalista conta que, enquanto fazia a dieta, sentiu enjôo, tonturas, dores de cabeça e fraqueza, resultado da carência de carboidratos. “Depois que desisti do regime, comi excessivamente como se estivesse compensando tudo o que deixei de comer durante a dieta”, explica.
Segundo Cynthia, a intenção inicial com a dieta era perder dois quilos, mas só conseguiu eliminar um e não o manteve. Depois desse regime, também ficou uma semana sem ingerir carboidratos e, novamente, não obteve sucesso. Após isso engordou mais e por isso, teve que perder mais peso. A dieta mais eficaz foi feita com acompanhamento de um nutricionista: “O objetivo era perder peso e mantê-lo baixo. Era um trabalho a longo prazo, por isso não era tão rígido e eu podia comer de tudo um pouco”. Cynthia, que está satisfeita com seu atual peso, ressalta: “Segui a dieta e, aliando a alimentação balanceada aos exercícios regulares na academia, consegui perder seis quilos em quatro meses, que era minha meta”.
Uma das dietas que volta e meia entra na moda é a de Atkins ou das proteínas, formulada pelo Doutor Robert Atkins (1930-2003) em sua série de livros "Dr. Atkins' Diet Revolution". O regime indica aumento no consumo de proteínas e gorduras e redução no consumo de carboidratos, fazendo com que o metabolismo do corpo troque o uso de glicose por gordura para gerar energia. A idéia da queima de gordura pode parecer ideal, no entanto, segundo o Dr. Robert Eckel da American Heart Association, o consumo indiscriminado de gorduras e proteínas coloca as pessoas sob o risco de enfermidades cardíacas. Portanto, essa dieta é apenas mais um caso de desequilíbrio que pode resultar em problemas graves.
A boa alimentação
A base de uma dieta saudável, além do bom-senso, conta com o equilíbrio dos três grupos principais de nutrientes: carboidratos, proteínas e lipídios. Por esta razão, não é possível eliminar por completo um deles sem ter repercussões para a saúde, o que muitas vezes ocorre se a dieta é feita sem o devido acompanhamento de um profissional. O mais indicado é que se faça uma dieta bem balanceada, buscando a mudança de hábitos alimentares, para assim atingir o peso pretendido.
Os lipídios, por serem gorduras, são muitas vezes encarados como vilões. No entanto, são essenciais, em pequenas quantidades, para a proteção dos órgãos, síntese de hormônios e transporte de vitaminas. As proteínas são nutrientes nobres, pois têm a função de imunidade e diferenciação celular, além de contribuir com o viço da pele, cabelos e unhas. Estas funções ficam comprometidas caso haja escassez de carboidratos, já que as proteínas ou protídeos irão tentar suprir essa ausência na geração de energia.
Carboidratos são importantes
Os carboidratos, por exemplo, são o combustível do nosso organismo e principalmente do cérebro. Para quem pratica atividade física, os carboidratos são ainda mais importantes, pois oferecem a disposição para se exercitar. Além de ser um alimento agradável, o pão é um componente importante na dieta, pois é fonte de carboidratos e balanceia a alimentação. Graças a sua variedade de combinações, o pão, um dos alimentos mais antigos da história, dá apoio com nutrientes necessários para os órgãos do corpo.
O pão é fonte de carboidratos complexos, necessários para fornecer energia rápida e, como este nutriente é o combustível preferencial do cérebro, sua falta gera fadiga, tontura e pode levar até mesmo a desmaios. Por isso, se equilibrado com outros alimentos, tornará a dieta eficiente e saudável. É preciso compreender que uma dieta eficaz é sinônimo de reeducação alimentar. Não adianta deixar de se alimentar ou cortar refeições, pois o corpo precisa estar são para que continue apto a desempenhar suas funções no dia-a-dia.
Portanto, parcimônia é fundamental tanto para adequar-se à nova rotina alimentar, quanto para aguardar a perda de peso natural. Reestruturar a alimentação é um processo contínuo, duradouro e eficaz a longo prazo. Assim sendo devemos ter paciência e não esperar resultados da noite para o dia. As dietas da moda são baseadas em excessos e exclusões de alimentos – ou até de grupos alimentares inteiros –, que prejudicam o organismo. Por conta disso, uma dieta saudável e acompanhada pelo profissional de saúde é a solução mais sensata e adequada.
Com a correria do dia-a-dia, trabalho, estudos e família, a alimentação fica em segundo plano. É natural recorrer a restaurantes do tipo fast-food e passar muitas horas sem se alimentar direito. Essa rotina desregulada torna o aumento de peso e eventuais problemas de saúde praticamente inevitáveis. A partir do acréscimo de números na balança, muitos optam por dietas “receitadas” por amigos e não buscam acompanhamento de um médico ou nutricionista de confiança, o que pode causar uma boa dose de dor de cabeça.
De acordo com o Dr. Ricardo Rosenfeld, presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral (SBNPE) e professor do Instituto de Nutrição da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, não há órgão que verifique a validade das dietas “receitadas” por amigos, somente das dietas por necessidade médica. “Dietas não precisam ser aprovadas por nenhum órgão, exceto as que são industrializadas. Essas precisam da aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ministério da Saúde”.
A procura por um regime que dê resultados imediatos é comum. Muitas dietas tornam-se populares por prometerem rápida perda de peso em curto espaço de tempo e são utilizadas sem que haja aprovação da qualidade, eficácia, ou se foi indicada por especialistas. Essas dietas são imprudentes porque o corpo necessita de certos nutrientes para manter suas funções equilibradas. Segundo Dr. Rosenfeld, não há como prevenir o fluxo das más dietas. “Infelizmente é possível divulgar qualquer coisa sobre dieta, mesmo as que sabidamente vão contra a fisiologia e o metabolismo do ser humano. Caberia, apenas, o esclarecimento do paciente pelo seu médico quando houvesse dúvida. Pena que poucas pessoas fazem isso”.
Dietas perigosas
Dietas altamente restritivas, como a da Sopa, da Lua, do Tipo sanguíneo, de South Beach, do Atum ou da USP (Universidade de São Paulo) – vale ressaltar que a USP nunca elaborou nenhuma dieta como essa, e, seu nome foi utilizado para dar a impressão de seriedade científica –, entre outras, são perigosas por limitarem ao máximo a ingestão de nutrientes, excluindo alimentos e, muitas vezes, grupos alimentares inteiros. Essas dietas podem até funcionar a curto prazo porque têm poucas calorias, mas não ensinam hábitos alimentares saudáveis, fundamentais para controlar o peso e manter a saúde.
A jornalista Cynthia Magnani tentou seguir a dieta da sopa, mas não agüentou: “Achei que não teria problemas porque era uma sopa com muitos legumes e me parecia bem forte”. “No quarto dia não conseguia mais nem sentir o cheiro da sopa. Dava uma colherada e sentia ânsia de vômito. Não suportava nem mais a consistência”, confidencia Cynthia. A jornalista conta que, enquanto fazia a dieta, sentiu enjôo, tonturas, dores de cabeça e fraqueza, resultado da carência de carboidratos. “Depois que desisti do regime, comi excessivamente como se estivesse compensando tudo o que deixei de comer durante a dieta”, explica.
Segundo Cynthia, a intenção inicial com a dieta era perder dois quilos, mas só conseguiu eliminar um e não o manteve. Depois desse regime, também ficou uma semana sem ingerir carboidratos e, novamente, não obteve sucesso. Após isso engordou mais e por isso, teve que perder mais peso. A dieta mais eficaz foi feita com acompanhamento de um nutricionista: “O objetivo era perder peso e mantê-lo baixo. Era um trabalho a longo prazo, por isso não era tão rígido e eu podia comer de tudo um pouco”. Cynthia, que está satisfeita com seu atual peso, ressalta: “Segui a dieta e, aliando a alimentação balanceada aos exercícios regulares na academia, consegui perder seis quilos em quatro meses, que era minha meta”.
Uma das dietas que volta e meia entra na moda é a de Atkins ou das proteínas, formulada pelo Doutor Robert Atkins (1930-2003) em sua série de livros "Dr. Atkins' Diet Revolution". O regime indica aumento no consumo de proteínas e gorduras e redução no consumo de carboidratos, fazendo com que o metabolismo do corpo troque o uso de glicose por gordura para gerar energia. A idéia da queima de gordura pode parecer ideal, no entanto, segundo o Dr. Robert Eckel da American Heart Association, o consumo indiscriminado de gorduras e proteínas coloca as pessoas sob o risco de enfermidades cardíacas. Portanto, essa dieta é apenas mais um caso de desequilíbrio que pode resultar em problemas graves.
A boa alimentação
A base de uma dieta saudável, além do bom-senso, conta com o equilíbrio dos três grupos principais de nutrientes: carboidratos, proteínas e lipídios. Por esta razão, não é possível eliminar por completo um deles sem ter repercussões para a saúde, o que muitas vezes ocorre se a dieta é feita sem o devido acompanhamento de um profissional. O mais indicado é que se faça uma dieta bem balanceada, buscando a mudança de hábitos alimentares, para assim atingir o peso pretendido.
Os lipídios, por serem gorduras, são muitas vezes encarados como vilões. No entanto, são essenciais, em pequenas quantidades, para a proteção dos órgãos, síntese de hormônios e transporte de vitaminas. As proteínas são nutrientes nobres, pois têm a função de imunidade e diferenciação celular, além de contribuir com o viço da pele, cabelos e unhas. Estas funções ficam comprometidas caso haja escassez de carboidratos, já que as proteínas ou protídeos irão tentar suprir essa ausência na geração de energia.
Carboidratos são importantes
Os carboidratos, por exemplo, são o combustível do nosso organismo e principalmente do cérebro. Para quem pratica atividade física, os carboidratos são ainda mais importantes, pois oferecem a disposição para se exercitar. Além de ser um alimento agradável, o pão é um componente importante na dieta, pois é fonte de carboidratos e balanceia a alimentação. Graças a sua variedade de combinações, o pão, um dos alimentos mais antigos da história, dá apoio com nutrientes necessários para os órgãos do corpo.
O pão é fonte de carboidratos complexos, necessários para fornecer energia rápida e, como este nutriente é o combustível preferencial do cérebro, sua falta gera fadiga, tontura e pode levar até mesmo a desmaios. Por isso, se equilibrado com outros alimentos, tornará a dieta eficiente e saudável. É preciso compreender que uma dieta eficaz é sinônimo de reeducação alimentar. Não adianta deixar de se alimentar ou cortar refeições, pois o corpo precisa estar são para que continue apto a desempenhar suas funções no dia-a-dia.
Portanto, parcimônia é fundamental tanto para adequar-se à nova rotina alimentar, quanto para aguardar a perda de peso natural. Reestruturar a alimentação é um processo contínuo, duradouro e eficaz a longo prazo. Assim sendo devemos ter paciência e não esperar resultados da noite para o dia. As dietas da moda são baseadas em excessos e exclusões de alimentos – ou até de grupos alimentares inteiros –, que prejudicam o organismo. Por conta disso, uma dieta saudável e acompanhada pelo profissional de saúde é a solução mais sensata e adequada.

