Câncer de tireóide - incidência da doença aumentou 10% na última década

20/09/2006 - 16:18
Camila Ranzi
Entrevista com o médico e diretor da Medicina Nuclear Dr. Mário Castiglioni

Estima-se que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireóide em algum momento da vida. Em média, 5% dos nódulos detectados são cancerosos, sendo benignos em mais de 90% dos casos, conforme dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Ainda de acordo com a entidade, a incidência da doença aumentou 10% na última década, mas o número de mortes relacionadas ao carcinoma tireoideano diminuiu. Cerca de 85% dos pacientes com doença diagnosticada e tratada em estágio inicial se mantém vivos e ativos.

DIAGNÓSTICO DO CÂNCER DE TIREÓIDE AUMENTA NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a incidência da doença aumentou 10% na última década, mas o número de mortes relacionadas ao câncer de tireóide diminuiu. Cerca de 85% dos pacientes com adoença diagnosticada e tratada em estágio
inicial se mantém vivos e ativos. O Centro Diagnóstico do Hospital Nossa Senhora de Lourdes possui um serviço de Medicina Nuclear que realiza exames diagnósticos, além de terapia com iodo radioativo, específicos para o tratamento de câncer de tireóide.


O câncer de tireóide (carcinoma primário da tireóide ou carcinoma tireoideano) é uma forma relativamente comum de doença maligna. De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a maioria dos doentes apresenta uma excelente sobrevida a longo prazo. O HOSPITAL NOSSA SENHORA DE LOURDES conta em seu Centro Diagnóstico com equipamentos e equipe médica de alta qualidade que estão, cada vez mais, possibilitando o diagnóstico precoce e o acompanhamento de diversas patologias. Em suas dependências, o hospital realiza terapia com iodo radioativo (iodo-131), para o tratamento de câncer de tireóide.

De acordo com Dr. Mário Castiglioni, diretor da área de Medicina Nuclear do Centro de Diagnóstico do Hospital Nossa Senhora de Lourdes, o tratamento com iodo radioativo - procedimento realizado no Hospital Nossa Senhora de Lourdes há cinco anos - não é novidade. “Ele existe há muitos anos, mas vem sendo pouco explorado no nosso meio. É um tratamento distinto de qualquer outro tratamento eletivo, e existe uma demanda grande por ele no mercado”, diz ele.

O tratamento com iodo radioativo é específico para pacientes com câncer diferenciado da tireóide e portadores de hipertireoidismo. “É uma terapia complementar em pacientes que tiveram câncer de tireóide e foram submetidos à retirada cirúrgica da glândula”, explica Castiglioni. O iodo radioativo nesses pacientes funciona como forma de prevenção. “Muitas vezes, a glândula tireóide é retirada, mas podem ficar alguns pedaços de tecido tireoideano ou mesmo de células cancerosas que não puderam ser abordadas durante a cirurgia.”

Ausência de sintomas

Um problema freqüente da tireóide é a detecção de nódulos que não apresentam sintomas. “Estima-se que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireóide em algum momento da vida. Isso não significa que sejam malignos. Perto de 5% dos nódulos detectados são cancerosos, sendo benignos em mais de 90% dos casos, conforme dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. A detecção precoce deste nódulo pela palpação da tireóide, ou com exame ultrassonográfico, é fundamental para isso. Uma vez identificado o nódulo suspeito, o endocrinologista solicitará outros exames complementares para confirmar a presença ou não do câncer.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a incidência da doença aumentou 10% na última década, mas o número de mortes relacionadas ao carcinoma tireoideano diminuiu. Cerca de 85% dos pacientes com doença diagnosticada e tratada em estágio inicial se mantém vivos e ativos. Apesar do câncer de tireóide atingir muito mais as mulheres, os homens também podem desenvolver a doença.

Tratamento com iodo radioativo

O tratamento com iodo radioativo segue uma rotina bem estabelecida. Começando pelo preparo do paciente que é orientado a ficar por 30 dias, antes do tratamento, com uma dieta pobre em iodo. “A tireóide é a única glândula do corpo que usa o iodo para fabricar hormônios. Uma dieta pobre desse elemento faz com que as células restantes da glândula tireóide ou as do câncer diferenciado fiquem cada vez mais ávidas por ele”, conta Castiglioni. Com isso, quando o paciente recebe a dose do iodo radioativo este é absorvido pela tireóide ou pelas células cancerosas, irradiando-as de maneira regional, atingindo-se, assim, o objetivo do tratamento.

O paciente deve ser internado, pois a dose de iodo radioativo, nesses casos de câncer de tireóide, supera o limite da dose estabelecida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para tratamento ambulatorial. “O iodo radioativo é administrado em cápsula ou em líquido, por via oral, e para esse procedimento é necessário isolar o paciente, não pela gravidade da doença, mas, sim, por proteção ambiental, e é necessário frisar que a estrutura física desse quarto terapêutico é a mesma de qualquer outro quarto hospitalar, fornecendo-se ao paciente todos os itens para o seu conforto e bem-estar”, conta o Dr. Mário. Para isso, contamos com uma equipe especialmente treinada para dar atendimento a esses pacientes durante interação”, adianta o médico.

O HOSPITAL NOSSA SENHORA DE LOURDES conta com quatro quartos terapêuticos. “Realizamos cerca de 20 tratamentos por mês e pretendemos ampliar, em breve, a nossa capacidade de atendimento, já que temos uma espera de três meses em nossa agenda”, afirma o médico, adiantando que o tempo de espera para o tratamento não é tão grande, já que há hospitais em São Paulo com tempo de espera maior.

Hospital Nossa Senhora de Lourdes
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