Caça aos Ratos estréia no Centro Cultural São Paulo

27/09/2006 - 15:02
Camila Ranzi
Caça aos Ratos estréia no Centro Cultural São Paulo
Texto do dramaturgo austríaco Peter Turrine, espetáculo aborda a obsessão como única possibilidade de escapar da mentira e alcançar a liberdade. Com direção de Roberto Morettho, a peça é encenada pela Cia O Grito.

Texto do dramaturgo austríaco Peter Turrine, o espetáculo CAÇA AOS RATOS estréia dia 3 de outubro, terça-feira, às 21h, no CENTRO CULTURAL SÃO PAULO. Peça aborda a obsessão como única possibilidade de escapar da mentira e alcançar a liberdade. Com direção de Roberto Morettho, que também está em cena, a montagem é encenada pela Cia O Grito e reúne no elenco os atores Alessandro Hernandez, Andréa Manna e Ana Padovan.

Em CAÇA AOS RATOS um casal resolve desconstruir-se num lixão, tirando todas as máscaras que cobrem sua humanidade, a fim de poderem se conhecer melhor. Durante esse tempo caçam ratos e expõe suas fragilidades e questionamentos a cerca da vida, de suas limitações e imposições sociais. O lixão representa a verdadeira alma da sociedade contemporânea, cujos restos dos sonhos e dos próprios homens são transformados num banquete para ratos predadores.

“O texto fala sobre o homem que coloca seus objetivos de vida, anseios e sentimentos dependentes exclusivamente daquilo que consome e o insere no mercado e a incapacidade de conseguir encontrar algo além disso. Na medida que os personagens ficam livres, também perdem espaço na sociedade, tornando-se bichos, execrados do convívio social. Trouxemos esta situação para a cidade de São Paulo, com nossos hábitos consumistas e nossas neuroses”, afirma o diretor Roberto Morettho.

A montagem é pautada no jogo entre os atores e o seu diálogo com a platéia, cenário, figurinos e adereços. São os próprios atores que manipulam luz e som. “Para que tivessem melhor domínio sobre a concepção do trabalho, eles passaram por uma oficina com a Dra Ana Maria Amaral sobre o Ator e seus Duplos, Máscaras, Bonecos e Objetos e preparação corporal com Sergio Pupo, do grupo XPTO, com algumas técnicas orientais atreladas ao jogo com o objeto”, finaliza o diretor.

O cenário, de Julio Dojcsar, que joga com a idéia de um carro estacionado em um lixão, é voltado para o urbano e pela composição da simplicidade, possibilitando a comunicação e o jogo com atores e público. A sonoplastia, do maestro Marcello Amalfi, aparece na produção de sons pelos atores e nos momentos de delírio, como a música que sai do rádio do carro. Os figurinos e adereços foram criados pelos próprios atores, que trouxeram objetos do seu cotidiano. A iluminação, assinada pelo cenógrafo e o diretor, foi criada para o espaço não convencional do porão.

Caça aos Ratos estréia no Centro Cultural São Paulo

Peter Turrine – Autor austríaco, é um dos dramaturgos de língua alemã mais encenados na atualidade. Dramaturgo, escritor e poeta, várias vezes premiado, escreveu mais de quinze peças teatrais, encenadas por diretores como Peter Palitzch, no Berliner Ensemble e Claus Paymann, no Burgtheater em Viena. Tornou-se conhecido por seus ataques mordazes contra a hipocrisia da sociedade burguesa, impondo-se como uma presença político-moral na Áustria. Turrine afirma que sobre a montanha de cadáveres que aparecem na televisão não se pode colocar outro cadáver teatral por cima. Então busca não repetir nenhum quadro da mídia. Pouco conhecido no Brasil, teve um dos seus textos, José e Maria, encenado no país.

Roberto Morettho – Diretor, ator e professor de Teatro, é formado pelo Departamento de Artes Cênicas da ECA/USP e pelas escolas Fundarte e Macunaíma. Atuou nos espetáculos A Flor e o Concreto, com o diretor alemão Stephan Stroux, Navalha na Carne e Quando as Máquinas Param, ambas de Plínio Marcos, Midnight Clow, dos Doutores da Alegria e Caça aos Ratos, de Peter Turrine. Dirigiu as peças Interlúdio com Máscaras, de sua autoria, Paranapiacaba, de onde se avista o mar, de Solange Dias e O Ócio, de Denise Alves. Como educador atuou no projeto Parceiros do Futuro, do Governo do Estado de SP, na Ong Imagens Conteúdo e Formas Culturais, no Colégio Giordano Bruno, na Associação Santo Agostinho e no Programa Aprendiz Comgás. Desenvolveu projeto sobre direção teatral na Escola de Comunicação e Artes da USP, onde atualmente cursa Mestrado em prática teatral, com um projeto sobre teatralidade contemporânea.

Cia O Grito – Surgiu em 2003 com a montagem do espetáculo O Caso da Casa, de Hugo Possolo e Carmo Murano. A peça esteve em cartaz durante o ano de 2004 em São Paulo e outras cidades do Estado, e foi indicada ao Prêmio Coca-Cola Femsa de direção (Roberto Morettho). Participou da 3ª Mostra SESI de Teatro Infantil, se apresentando nas cidades de Mauá, Santo André, Osasco, Santos, Franca, Araraquara, Sorocaba, Marília e Rio Claro. Realizou apresentações pelo SESC nas cidades de Bertioga, Taubaté, Sorocaba, Piracicaba, Araraquara, Santo André e Bauru, além das unidades Ipiranga e Santo Amaro, na capital. Em São Paulo ficou em cartaz nos Teatros Humboldt, Sérgio Cardoso, Ruth Escobar e Folha, além de realizar várias apresentações nos CEUS e outros locais da cidade. A Cia é formada pelos atores Alessandro Hernandez, Andrea Manna, Ana Padovan e pelo diretor Roberto Morettho. Em 2005, a Cia estreou no centro Cultural SP o espetáculo Marujo Caramujo e a Minhoca Tapioca, dramaturgia inédita de Hugo Possolo, criada em colaboração com grupo. Espetáculo ganhou o prêmio APCA de melhor ator para Alessandro Hernandez e foi indicado a três categorias do Prêmio Coca-Cola Femsa: cenário, figurino e iluminação.

Para Roteiro
CAÇA AOS RATOS – Estréia dia 3 de outubro de 2006, terça-feira, às 21h. Texto: Peter Turrini. Tradução: Marcos Renaux. Direção: Roberto Morettho. Com a Cia O Grito. Elenco Alessandro Hernandez, Andréa Manna, Ana Padovan e Roberto Morettho. Duração de 60 minutos. Recomendação a partir de 14 anos. Ingressos R$10,00 (Estudantes, maiores de 60 anos e classe teatral têm 50% de desconto). Terças, quartas e quintas, às 21h. Temporada de 3 de outubro a 14 de dezembro.

CENTRO CULTURAL SÃO PAULO – Espaço Cênico Ademar Guerra – Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso, tel: (0XX11) 3383-3400 Capacidade 70 lugares. Acesso para deficientes. Aceita cheques. Abertura da bilheteria uma hora antes do início dos espetáculos. Estacionamento conveniado Costa Brava, na rua Vergueiro 1149, a R$3,00 a 1a hora e R$1,00 as demais. Lanchonete.
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